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Unicamp e o Enade

 

A Unicamp vai participar do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), que inclui o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), a partir deste ano, de 2010. A decisão foi tomada em reunião da Comissão de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) na tarde desta terça-feira (1), com base nos subsídios apresentados por um grupo de trabalho composto por dez docentes. O grupo realizou reuniões, durante todo o segundo semestre de 2009 e início de 2010, estudando textos sobre avaliações de cursos de graduação e textos a respeito do Sinaes/Enade, além de receber representantes do MEC que participam e participaram da elaboração e da concepção do Exame em questão.

Unicamp e USP são as únicas instituições que não participam do Sinaes, que foi regulamentado em abril de 2004 em substituição ao Exame Nacional de Cursos (Provão). “Tínhamos uma série de críticas à implantação e metodologia do novo sistema, como a prova por amostragem e a não adoção das visitas in loco e de outros indicadores consolidados no Provão. Ainda temos críticas e sugestões, mas o exame foi bastante aprimorado”, afirma o professor Marcelo Knobel, pró-reitor de Graduação.

Knobel sustenta que a Unicamp deve participar ativa e construtivamente do processo, visando ao aprimoramento contínuo do ensino superior no país. “Acredito que a avaliação é um caminho necessário e fundamental para a melhoria do ensino. Estamos propondo a criação de dois grupos internos de trabalho: um grupo técnico, que vai cuidar da inscrição de estudantes, do preenchimento de formulários e de outros aspectos ligados à infraestrutura; e um grupo essencialmente acadêmico, que vai acompanhar as provas, analisar nosso próprio desempenho e encaminhar sugestões ao MEC”.

Dessa maneira, segundo Knobel, a proposta da Unicamp é possibilitar os mais variados setores da universidade participem do processo, para que seus resultados sejam tratados com coerência. “Participar no Sinaes/Enade reflete a disposição da comunidade em reconhecer a importância de processos de avaliação para o encaminhamento de reflexões que levem ao aprimoramento constante das práticas internas de ensino, pesquisa e extensão”.

Em relação ao Enade, o exame dos estudantes, o pró-reitor lembra que ele passou a ser universal e não mais por amostragem, o que significa o envolvimento de todos os ingressantes e concluintes de determinada área do conhecimento. Nesse ano de 2010, serão avaliados os cursos da área da saúde. “Boicote? Pode acontecer, mas é um problema que vamos enfrentar. Mais importante é mostrar ao aluno a importância de ser avaliado com coerência e seriedade, assim como verificar a qualidade do seu curso em comparação com o restante do país. Os benefícios serão todos dele”.

Objetivos do Sinaes

O Sinaes se propõe a avaliar a atuação da instituição de ensino superior (IES) em relação a ensino, pesquisa, extensão, responsabilidade social, desempenho dos alunos, gestão da instituição, corpo docente e instalações, entre outros aspectos. A nota final do Sinaes é composta por uma série de instrumentos, como autoavaliação, avaliação externa, Enade, avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro).

O objetivo do Sinaes é oferecer subsídios que orientem as IES quanto à sua eficácia e efetividade acadêmica e social; os órgãos governamentais na criação de políticas públicas; e os estudantes, pais e público em geral sobre a realidade dos cursos e das instituições. Ao MEC, especificamente, a avaliação serve também como base para regulação, supervisão, autorização, credenciamento, reconhecimento e renovação dos cursos de graduação do país.

O Conceito Preliminar dos Cursos de Graduação (CPC) – criado em 2007 para agregar critérios objetivos de qualidade e excelência ao processo de avaliação – vai de 1 a 5 e é um indicador prévio da situação dos cursos, valor depois consolidado com uma visita in loco.

Peso de cada conceito

O Enade, que tem peso de 40% no CPC, afere o rendimento dos alunos em relação a conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares, habilidades e competências para sua atualização permanente e conhecimentos sobre a realidade brasileira e mundial. A prova traz 10 questões de conhecimentos gerais e 30 questões específicas da área de conhecimento do aluno, entre discursivas e de múltipla escolha.

Com peso de 30% no CPC, o Indicador de Diferença do Desempenho (IDD) pretende demonstrar quanto o curso contribuiu para o desenvolvimento das habilidades acadêmicas, das competências profissionais e do conhecimento específico do aluno. O IDD é a diferença entre o desempenho médio do aluno e o desempenho médio esperado em seu curso. O indicador, portanto, deve representar quanto cada curso se destaca da média.

Instalações e equipamentos para aulas práticas, recursos didático-pedagógicos e a qualidade do corpo docente, segundo a percepção do aluno, fazem parte dos insumos, que possuem peso de 30% no CPC. Os dados objetivos inseridos neste conceito são os percentuais de professores com titulação maior ou igual ao doutorado e daqueles que cumprem regime de dedicação integral ou parcial.

 

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