Uma das afirmações mais frequentes que ouço dos estudantes é a seguinte: "Tenho sérias dificuldades para memorizar... acho que não tenho uma boa memória."
Vou aqui, então, repetir o que respondo para eles, fundamentado nas mais recentes descobertas no campo da neurologia: desde que não haja uma história de doença grave (e isto é sempre diagnosticado antes mesmo de a memória fraquejar) nada justifica as dificuldades de memorização a não ser uma destas três causas:
1. Estresse – provocado principalmente pelo medo, pela ansiedade ou pelo excesso de cobrança;
2. Desinteresse pelo assunto em questão (que pode também ser provocado pelo antagonismo ou aversão ao professor, chefe ou líder);
3. Auto-estima baixa (que pode ter sido provocada pelo excesso de críticas ao seu desempenho escolar ou profissional).
O mais comum, entretanto, é encontrarmos estes três fatores associados entre si. A pessoa com a auto-estima em baixa, estressa com facilidade e se torna ansioso, medroso ou, em alguns casos, até mesmo agressivo. Problema de memória, no entanto, ele não tem nenhum. O que ele precisa é tão somente ter sua autoestima levantada. Isto aumentará seu poder de concentração, estimulará a sua capacidade de "sonhar" e sua criatividade, fortalecerá sua confiança e os problemas de memória desaparecerão naturalmente.
Muita gente ainda pensa que "concentrar-se no estudo" é despejar toda a sua ansiedade e toda a sua vontade no ato de aprender. Só que este é um erro fatal. A concentração ótima para a aprendizagem não é aquela em que a pessoa estimula o seu "estado de alerta" que faz aumentar os batimentos cardíacos, a tensão muscular, o ritmo respiratório. A concentração ótima é a concentração passiva, quando a pessoa não está "preocupada em aprender", mas sim "divertir-se com o estudo", ou, numa linguagem bem jovem, "curtir o estudo". Repare que quando assistimos a um filme sobre História, aprendemos muito mais sobre o fato, do que quando nos debruçamos sobre um livro, ansiosos, e tentamos decorar tudo.
"Aprender" é da natureza humana e memorizar é um ato intelectual tão natural que somos capazes de memorizar mesmo sem querer memorizar. O nosso cérebro foi criado para aprender. E não somos nós que vamos interferir neste destino; nós somos capazes de aprender tudo o que nos interessa aprender e sem fazer grande esforço para isso. Aliás, fazer esforço para aprender é um contrasenso. Ninguém tem que se esforçar para aprender. Basta ficar na sua (atento, mas relaxado) e deixar o cérebro aprender sozinho. E ele é capaz de fazer isto magistralmente por nós.
Mapas Mentais
Por volta de 1970, o psicólogo inglês Tony Buzan desenvolveu uma técnica de memorização bastante eficaz conhecida por "Mapeamento Mental".
Segundo Buzan, não faz sentido estudar alguma coisa e não conseguir lembrar-se dela depois. E essa "falha" normalmente acontece porque as pessoas são habituadas a fazer anotações lineares, organizadas, item por item. Porém não é assim que o cérebro funciona.
Buzan propôs aos seus alunos que "desenhassem" as informações em forma de árvores, com muitos galhos e, de preferência, bem coloridas. Esses galhos deveriam cruzar-se com outros galhos, estabelecendo assim uma espécie de "rede de comunicação" com todas as informações associadas entre si. O resultado foi o melhor possível.
A técnica dos Mapas Mentais é, hoje em dia, um dos melhores e mais eficazes recursos didáticos, principalmente no estudo de matérias discursivas. Seria uma boa pra você inteirar-se sobre esta técnica que pode melhorar bastante a sua capacidade de memorização.
Enquanto isso, aprenda que aquelas "anotações bonitinhas", lineares e organizadas que você faz no seu caderno não funcionam! Você precisa fazer anotações "expressivas" coloridas, ligadas entre si por setas e curvas, de preferência com muitos desenhos. É disso que a memória gosta!
Lembre-se: a memória tem uma predileção especial por informações extravagantes, absurdas, divertidas, grandiosas, coloridas e emocionantes. As informações lineares, banais, inexpressivas, bem comportadas e em preto-e-branco, são descartadas pela memória na primeira esquina. É assim que a banda toca.
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Fonte: Câmara Brasileira de Jovens Escritores (Projeto Saber)
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