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Como pensa a juventude sul-americana

Estudo do Ibase mostra conclusões de estudos feitos

Como pensam os jovens da América do Sul? Quais as principais convergências encontradas entre eles? Para responder a essas e outras indagações, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) fez um estudo cujos resultados, reunidos no “Livro das Juventudes Sul-Americanas”, foram divulgados esta semana (25/08/10) no Rio de Janeiro. O trabalho foi feito em parceria com o Instituto Polis e mais seis organizações do continente.

A publicação reúne pesquisas realizadas nos anos de 2007, 2008 e 2009 com jovens do Brasil, Chile, da Argentina, do Uruguai, Paraguai e da Bolívia. “Nosso foco foi entender as demandas da juventude, as necessidades da juventude”, disse a socióloga Patrícia Lânes, pesquisadora do Ibase e integrante da equipe técnica da pesquisa, em entrevista à Agência Brasil.

A equipe ouviu e acompanhou a rotina de jovens de grupos organizados, como movimentos femininos, trabalhadores sem terra, movimento hip hop. Ao mesmo tempo, foi aplicado um questionário para 14 mil jovens e adultos, para “entender se o que aparece como reivindicação da juventude organizada está afinado com a percepção da sociedade de maneira geral [jovens que não participam de grupos organizados e adultos] sobre o que a juventude precisa”, informou Lânes.

O estudo revelou que o jovem de hoje está mobilizado, embora essa mobilização seja diferente da geração de 1970, em que havia uma questão concreta da ditadura no mundo, que restringia a liberdade e os direitos fundamentais. “Hoje em dia, a gente tem jovens mobilizados, mas em torno de diferentes questões. Você tem desde o jovem da periferia, o jovem negro, por exemplo, as jovens mulheres, ou o jovem estudante. Você tem diferentes bandeiras em torno das quais esses jovens se organizam e se mobilizam”.

Sobre a comunicabilidade entre os jovens dos diferentes países, a ferramenta tecnológica da comunicação, a informática, facilitou esse entrosamento. “Como você também tem uma ferramenta de comunicação que não existia em outros momentos, acho que os jovens que estão mobilizados se utilizam dessas ferramentas e de outras que se popularizaram”, afirmou Patrícia.

Para ela, isso resultou na incorporação desses elementos de comunicação dentro das lutas e organizações juvenis. Esse tipo de ferramenta - como blogs e redes sociais - acabou incorporado como instrumento de luta social.

De acordo com a pesquisadora do Ibase, as diferenças entre a juventude dos seis países pesquisados estão na própria história dessas nações. “Na verdade, as diferenças se dão entre os países, não em termos de juventude. Se dão em termos de sociedade”, ressaltou. Ela lembrou que no caso do Brasil e do Chile, por exemplo, as diferenças que surgem entre os jovens são as mesmas que aparecem entre os adultos.

Um exemplo é a pena de morte, que existiu no Chile há mais de 40 anos e continua tendo a seu favor boa parte da população. “Isso estava colocado socialmente lá como uma possibilidade”. O mesmo ocorre quanto ao aborto no Uruguai, onde o tema já vinha sendo objeto de debate público há muito tempo e tem maior aceitação, “diferentemente de outros países como o Brasil e a Bolívia. Então, as diferenças entre os países são muito mais da sociedade como um todo do que entre os jovens”.

O estudo do Ibase e seus parceiros visa à geração de informações qualificadas que possam ajudar na elaboração de políticas públicas para os jovens da região. Outra meta é fornecer subsídios para os movimentos sociais pensarem suas práticas, disse Patrícia Lânes.

Foram realizados sete documentários sobre os diálogos mantidos durante as reuniões com grupos de 40 jovens de cada país, representantes de movimentos ou organizações. Na solenidade de lançamento do Livro das Juventudes Sul-Americanas, será exibido um documentário sobre a reunião desses jovens, que ocorreu em junho do ano passado no Rio de Janeiro.

A rede que desenvolveu a pesquisa foi integrada também pela Fundación SES (Argentina), U-Pieb (Bolívia), Cidpa (Chile), Base-IS (Paraguai), Cotidiano Mujer e Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de la República (Uruguai). O estudo contou com apoio do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento (IDCR), do Canadá.

Veja um resumo da pesquisa.

Baixe e conheça o livro.

(Por: Alana Gandra - Agência Brasil - 25/08/2010)

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